Custo energético em padarias

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Junto ao crescimento econômico, e aumento dos estabelecimentos industriais e comerciais, ocorreu consequentemente a ampliação do consumo de energia elétrica (ANEEL, 2016). O Brasil é mantido pelas hidrelétricas (63,75% da produção elétrica, segundo a ANEEL) que ao confrontarem uma crise hídrica, geram aumentos nas tarifas de energia, com o surgimento de bandeiras tarifárias, além das horo-sazonais, que partem do uso complementar de usinas termoelétricas, apresentando assim maior custo para o meio ambiente e para a economia.

                Como o fato de promover o uso consciente e racional da energia elétrica apresenta diversas dificuldades de aceitação e adaptação, uma alternativa para o uso dessa energia sem preocupações posteriores com a conta a pagar, é a instalação de usinas locais, de fonte renovável, que apresentam retorno econômico rápido, como é o caso das usinas fotovoltaicas.

                Usinas fotovoltaicas podem trazer uma economia de até 95% da fatura de energia, dependendo do empreendimento. Esse valor não chega a “zerar” a fatura porque há encargos que são cobrados pela concessionária no uso da rede elétrica como armazenamento da energia produzida pela usina, além dos tributos com iluminação pública.

                Os comércios em geral são os empreendimentos que apresentam melhor retorno econômico (menor tempo) pois apresentam um consumo alto de energia para a faixa de demanda energética que estão locados (Grupo B). Quando essa demanda ultrapassa os 2,3 kV, a faixa de consumo entra no Grupo A, onde a energia pode ser negociada diretamente com a concessionária, o chamado Mercado Livre, em que o uso de usinas de energia alternativa ainda apresentam um bom payback, porém, mais demorado se comparado ao Grupo B. Mas cada caso deve ser analisado e bem projetado, para que seja viável a instalação da usina.

                O setor de panificação tem crescido muito, com 36,2% da indústria de produtos alimentares. Segundo a Associação Brasileira de Indústria da Panificação (ABIP) o gasto de energia mensal em padarias de pequeno porte é de aproximadamente R$2.200,00, médio porte R$6.760,00 e grande porte mais de R$11.000,00.

                Esses gastos com energia impactam diretamente no custo do produto, que ao ser promovido por uma considerável redução de custos (uso de usina fotovoltaica), consegue concorrer mais no mercado comercial, quando comparado a outros estabelecimentos que não possuem geração distribuída, pois conseguem reduzir o custo do produto mantendo a qualidade.

                Em caso de padarias, o consumo de energia se resume à: 38% na cocção, 46% na refrigeração e 8% na iluminação. Fazendo uma simulação do consumo com e sem geração fotovoltaica (FV), temos o exemplo abaixo.           

                Foram considerados 45% de uso da energia elétrica fora do horário de geração e em dias nublados (consumo dos créditos gerados com cobrança de tributação) e 55% com consumo simultâneo, quando a geração é logo utilizada pelo empreendimento no local da usina instalada, em um mês de boa geração (verão), sendo a rede trifásica em local urbano.

Pode-se reparar que há três cenários distintos sendo analisados: o consumo sem o sistema FV instalado, ou seja, utilizando somente a energia que a concessionária fornece; O consumo com 50% sendo fornecido por um sistema FV local, que é decorrente em locais que não há espaço para acomodação dos módulos solares ou quando o proprietário não consegue investir em um projeto completo; e por último, o consumo com geração de 100% do FV, quando há espaço no local do empreendimento e que o proprietário queira investir para um retorno econômico mais rápido.

O gráfico abaixo representa os valores de fatura em relação ao sistema FV instalado, sendo o 100% quando toda a demanda é atendida pelo FV (caso ideal) e 0% quando não há geração distribuída instalada.

                Em uma padaria, a energia elétrica equivale, em média, a 11% dos custos totais. Com base nisso para a composição dos custos do produto, podemos fazer a seguinte simulação:

Preço do pão: R$12,50/kg à Com FV atendendo 100% da demanda pode-se reduzir para até R$11,30/kg, mantendo a mesma faixa de lucro e angariando mais clientes, o que aumentaria o lucro em cima da quantidade vendida.

                Com essas dicas, seu empreendimento pode ter bem mais rentabilidade e pode auxiliar em períodos de crise financeira, ou hídrica, que resultam em aumento do custo da energia elétrica pela adição das bandeiras tarifárias.                 Caso queira saber sobre o custo de um sistema de fotovoltaico, faça a simulação no site da inVolt pelo link: https://involtsolar.com.br/energia-solar/.

Escrito por Floriano Suszek, Doutor em Engenharia Agrícola e Engenheiro na inVolt Energia Solar.