Como reduzir o consumo de vários imóveis com uma única instalação Solar: O Autoconsumo Remoto

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“Possuo três imóveis, uma residência na cidade, uma casa na praia e uma chácara, desejo reduzir as três contas de energia elétrica, preciso instalar três sistemas de energia Solar, um em cada casa?”

A resposta para essa pergunta é: NÃO!

A resolução n° 482/2012 da ANEEL criou a possibilidade aos consumidores de produzirem a própria energia elétrica através de painéis Solares e ainda conectar os painéis com a rede da concessionária de energia do seu Estado. Caso não haja consumo da energia produzida pelos painéis, a energia é enviada à concessionária, que armazena a quantia enviada em forma de créditos, e faz a devolução ao consumidor no período noturno, quando os painéis não funcionam pela falta de luz. Esse sistema de créditos do consumidor com a concessionária chama-se Sistema de Compensação de Energia Elétrica.

Pela resolução 482, o consumidor podia utilizar seus créditos de energia somente para abater o consumo do local onde a energia foi gerada. Caso em um determinado mês a geração não tenha sido suficiente para compensar toda a energia consumida, os créditos poderiam ser utilizados. Porém essa resolução foi alterada em 2015, e passou a vigorar com o número 687, trazendo diversas mudanças, principalmente para o Sistema de Compensação de Energia Elétrica, que passou a ter mais três modalidades:

Autoconsumo Remoto: Permite que o consumidor gere a energia Solar em um imóvel e utilize os créditos de energia para abater o consumo de outro imóvel de sua titularidade.

Geração Compartilhada: Permite que diversas pessoas reúnam-se na forma de cooperativa ou consórcio para a construção de uma usina de energia Solar para ratear a energia produzida entre os integrantes.

Múltiplas Unidades Consumidoras: Permite que moradores de condomínios residenciais ou comerciais gerem energia elétrica através de painéis Solares instalados na área comum do condomínio, tanto para abater o consumo das suas dependências, quanto da área comum.

O Autoconsumo Remoto

Este modelo de Compensação de Energia Elétrica permite aos consumidores produzirem energia elétrica a partir de painéis Solares no telhado de casa e utilizar os créditos de energia para abater o consumo da casa de praia por exemplo, ou de quaisquer outros imóveis, porém há algumas exigências:

1) Os imóveis devem ser atendidos pela mesma concessionária de energia elétrica

2) Os imóveis devem ter a fatura de energia elétrica com a mesma titularidade

É possível gerar energia na matriz de uma empresa (conta de luz no CNPJ da empresa) e compensar os créditos nas demais filiais (contas de luz no mesmo CNPJ), porém não é possível gerar energia em uma empresa (se a conta de luz estiver no CNPJ da empresa) e utilizar os créditos para uma residência (se a conta de luz estiver em um CPF).

Entretanto, é possível solicitar à concessionária alteração na titularidade da fatura de uma unidade consumidora, de forma a se enquadrar no Autoconsumo Remoto.

O medidor bidirecional, modelo de medidor de energia elétrica (relógio) que a concessionária instala para poder registrar tanto a energia que vai para a rede quanto a energia que vêm da rede deve ser instalado somente no imóvel onde serão instalados os painéis.

3) Deve ser definida a porcentagem dos créditos de energia que cada imóvel receberá

Na assinatura do contrato com a concessionária, deve ser definido quanto cada unidade consumidora receberá. Os créditos recebidos têm validade de 5 anos. Caso o consumidor queira alterar a porcentagem que definiu anteriormente o prazo para alteração é de 60 dias.

Exemplo de Faturamento

É importante salientar que por mais que haja créditos de energia em excesso, não é possível zerar a conta de energia, nem do imóvel onde a energia foi gerada e nem do imóvel onde os créditos de energia foram utilizados. Ao menos a tarifa mínima será cobrada pela concessionária (100kWh para instalações trifásicas, 50kWh para bifásicas e 30kWh para monofásicas), além da taxa de contribuição com a iluminação pública e eventuais bandeiras tarifárias (bandeira amarela ou vermelha).

Tarifa COPEL: R$ 0,70/kWh

Imóvel 1 (Trifásico): Onde serão instalados os painéis.

Imóvel 2 (Bifásico): Onde será utilizado 60% dos créditos de energia.

Imóvel 3 (Monofásico): Onde será utilizado 40% dos créditos de energia.

No mês 1, o imóvel 1 produziu 700kWh a mais de energia do que consumiu, portanto paga-se a tarifa mínima neste imóvel. O imóvel 2 recebeu 420 kWh de crédito e com isso consegue compensar o consumo que foi de 250 kWh, portanto também deve pagar a taxa mínima. A mesma coisa acontece com o imóvel 3, que recebeu 280 kWh de créditos e compensou o consumo de 150 kWh.

No mês 2 a geração de energia foi menor, e o consumo do imóvel 2 foi maior (500 kWh), sendo assim o crédito total do imóvel 2 de 350kWh (180kWh recebidos + 170kWh do mês anterior) não foi suficiente para abater todo o consumo, portanto deve-se pagar a diferença, de 150 kWh (500kWh – 350kWh).

É interessante perceber que os créditos que sobram permanecem nos imóveis onde foram destinados. Se sobrou crédito que foi enviado para o imóvel 2 por exemplo, ele é exclusivo para uso futuro no imóvel 2.

Autor: Caio
Caio Mateus Rolim – Consultor InVolt

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